09
jan

0

RECICLAGEM ELO QUE UNE: GERAÇÃO DE RENDA, REDUÇÃO DA DESIGUALDADE SOCIAL E MINIMIZAÇÃO DOS IMPACTOS AMBIENTAIS

Numa sociedade globalizada cujos princípios econômicos e valores básicos estão voltados para o consumismo, surgem diversos problemas, dentre eles: o crescimento da desigualdade entre ricos e pobres, o aumento da produção de resíduos sólidos urbanos e o consequente problema ecológico gerado pelo seu tratamento inadequado e/ou falta de depósitos apropriados para seu armazenamento. Desde a década de 1980, a globalização, as novas tecnologias e a constante qualificação da mão-de-obra têm proporcionado uma evolução do processo produtivo. Por outro lado, os cidadãos que não têm acesso a essa evolução tornaram-se marginalizados e excluídos da sociedade, sem acesso aos bens de consumo e serviços básicos, sem oportunidade de emprego formal, ficando subordinados ao subemprego ou ao emprego informal. Para enfrentar os evidentes desníveis entre as classes sociais provocados por esse processo, uma das alternativas encontradas para tornar a sociedade mais equilibrada e justa está situada na mobilização do Estado e da sociedade civil organizada (ONGs, associações, cooperativas, Igrejas, etc.) juntamente com a economia privada visando o desenvolvimento do chamado ‘Empreendedorismo Social’. Para isso é importante uma reflexão sobre sua importância. Pois, para Valentim (2007) e Vasconcelos (2007), não se pode pensar em inserção social de uma maneira individualizada, isolada. Deve-se pensar como um todo, na qual a sociedade esteja engajada em procurar soluções para promover a igualdade social e melhorar índices socioeconômicos, inserindo na vida das pessoas marginalizadas o acesso à informação, saúde, educação, alimentação, moradia, etc. A preocupação com a inserção social vem crescendo tanto na sociedade civil organizada como também no setor empresarial, Por sua vez, o aumento na produção de lixo, numa sociedade educada para consumir, vem causando danos irreparáveis ao meio ambiente e afetando diretamente a qualidade de vida dos habitantes das grandes, médias e pequenas cidades. Isto criou um problema de proporções mundiais, qual seja: o que fazer com a crescente produção de resíduos sólidos urbanos? A este fato acrescenta-se uma participação ainda insipiente de ações do Estado brasileiro na criação, desenvolvimento e gestão de políticas públicas para a solução desse problema, embora já sejam observadas iniciativas concretas no sentido de resolvê-lo. Não obstante, a sociedade, de uma maneira geral, vem buscando alternativas para controlar e armazenar o excesso de produção dos resíduos sólidos urbanos. Segundo Kuhnen (1995), a reciclagem do lixo se apresenta como uma alternativa fundamental para controlar o problema, haja vista que ela reduz o volume final dos resíduos, que precisam ser incinerados ou aterrados, além de gerar renda às pessoas que manipulam o processo de reciclagem, geralmente indivíduos e famílias marginalizadas da sociedade. A recuperação dos resíduos e a sua reintegração, em determinados processos produtivos, asseguram relevante economia de matéria-prima e de energia. “E aí os valores parecem invertidos: o lixo, que sempre foi um problema, torna-se a solução” (KUHNEN, 1995, p.31). Na mesma perspectiva, O’LEARY et al. (1999) afirmam que a reciclagem dos resíduos sólidos é uma alternativa viável que propicia a preservação dos recursos naturais, economia de energia, redução de área que demanda o aterro sanitário, geração de emprego e renda, assim como a conscientização da população para questões ambientais. Nesse contexto, a ‘reciclagem’ parece a ser o elo que une os três problemas centrais: geração de renda aos mais pobres, diminuindo a desigualdade social; controle e redução do volume de resíduos sólidos; e minimização dos impactos ambientais.

Porém, adverte O’LEARY et al (1999), para que haja a reciclagem, o resíduo sólido terá que passar por um processo que envolve uma triagem na sua coleta, onde a sociedade e o poder público (os municípios) terão que investir em duas frentes:

1) num sistema de coleta eficiente com locais apropriados para o descarte do material, entre outras medidas;

2) n conscientização da sociedade sobre a importância da reciclagem dos resíduos sólidos. Para o autor, sem essas atitudes, a sobrevivência e o bem-estar das gerações futuras estarão comprometidas.

Portanto, não resta dúvida que a reciclagem, promovida na sua maioria pelas associações de catadores de lixo e pela iniciativa privada, é considerada uma maneira de empreendedorismo comprometido com o social. Em outras palavras, os catadores viram no lixo uma alternativa para sua sobrevivência e a sociedade encontrou na reciclagem uma maneira de reverter o crescente quadro de degradação ambiental.

Contudo, a reciclagem não deve ser vista unicamente como a principal solução para o lixo. Ela é tão-somente uma atividade econômica que deve ser encarada como um elemento dentro de um conjunto de soluções ambientais. Para Grippi (2001, p. 27), apenas “separar o lixo sem um mercado é enterrar em separado”. Ou seja, a separação de materiais do lixo aumenta a oferta de materiais recicláveis. Entretanto, se não houver demanda por parte da sociedade ou do mercado, o processo é interrompido e os materiais podem abarrotar os depósitos ou serem enterrados em outro lugar.

Portanto, a busca de soluções práticas através do modelo de gestão pelo qual o empreendedorismo social se evidencia, tem como um dos pontos mais importantes o estudo sobre a cadeia produtiva da reciclagem, que pode auxiliar na definição de ações e estratégias para a melhoria das condições dos materiais recicláveis coletados pela associação é uma das maneiras mais adequadas para a negociação desses materiais reciclados, que permitam obter um maior valor agregado na sua venda.

Msc. Ricardo Delfino Guimarães