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O PROCESSO DE INSERÇÃO SOCIAL

Para os estudiosos e doutrinadores Valentim (2007) e Vasconcelos (2007), não se pode pensar em inserção social de uma maneira individualizada, isolada. Deve-se pensar como um todo, na qual a sociedade esteja engajada em procurar soluções para promover a igualdade social e melhorar índices socioeconômicos, inserindo na vida das pessoas marginalizadas o acesso à informação, saúde, educação, alimentação, moradia, etc. A preocupação com a inserção social vem crescendo tanto na sociedade civil organizada como também no setor empresarial, através de apoio a programas e parcerias com o setor público. Estes desenvolvem formas e modelos variados nas esferas da sociedade para minimizar a desigualdade social. Além desse apoio, a inserção social pode encontrar na economia solidária uma forma alternativa para driblar a conjuntura formada pelo modelo capitalista.

Na sociedade atual, o sistema de produção vigente revela-se incapaz de promover a inclusão social, por meio do desenvolvimento econômico e do progresso social, para a maioria dos seus cidadãos. Da mesma forma que os avanços da sociedade trazem melhorias para a vida de alguns, por outro lado, crescem os índices de pessoas que vivem em situação de miséria (VALENTIM, 2007)  Nesse contexto, a inserção social torna-se necessária e fundamental. Pois, Segundo Vasconcelos (2007), a ideia básica de inserção social considera que as atividades econômicas são moldadas e limitadas por ligações existentes entre todos os atores que delas participam, não ocorrendo de forma independente do contexto social. Sendo assim, a inserção social aborda a influência do desempenho de novas empresas, gerando novas oportunidades (informações, recursos, contatos, etc.) e barreiras (organização da atividade econômica e institucionalização de comportamentos).

Diante desses relatos, a ênfase da inserção social está justamente no papel concreto das relações pessoais com as estruturas sociais (redes), gerando confiança entre esses atores que influenciam as relações econômicas. Nesse sentido, Granovetter (1985) afirma que a ação econômica sofre influências por meio das relações com outras pessoas, como também pela rede de relações que o indivíduo faz parte. A relação que se dá por meio das relações com outra pessoa é denominada de ‘inserção relacional’, e a relação que se dá pela rede de relações em que o indivíduo está inserido é a ‘inserção estrutural’. No que se refere à inserção relacional, há um efeito direto desse tipo de inserção sobre a atividade econômica do indivíduo. O fato de um indivíduo estar se relacionando com outros indivíduos já causa influências na ação econômica. Este relacionamento não é caracterizado apenas pela formação e atividades desses indivíduos; o tipo de relacionamentos que os mesmos têm, e que são influenciados por um histórico de interações, também faz parte da fundamentação desta relação (VASCONCELOS, 2007).

Já a inserção estrutural tem um efeito menos direto sobre a atividade econômica, pois a influência dependerá da denominada densidade de rede, que é a extensão em que os indivíduos estão ligados uns aos outros. Neste caso, o indivíduo pode sofrer influências comportamentais que acabariam refletindo na ação econômica, além de que pode ser afetado por informações que transitam pelo grupo do qual ele faz parte. Sendo assim, uma alta densidade de rede ocasionaria um efeito de maiores dimensões no comportamento econômico (VASCONCELOS, 2007).

Portanto, a inserção social se apresenta como um dos principais fatores a serem considerados pelas diversas instituições (governamentais e privadas), que possuem uma verdadeira visão global a respeito da sociedade e da economia. A inserção social é uma das alternativas mais eficazes para que a estrutura social se desenvolva numa perspectiva justa, onde os valores humanos sejam evidenciados, sobressaindo ao capitalismo radical que visa apenas o lucro. E é neste contexto que vem se destacando a denominada “Economia Solidária”.

Msc. Ricardo Delfino Guimarães