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ÉTICA, UM PARADIGMA EVOLUCIONÁRIO

A ética e a moral, princípios que disciplinam e orientam o ser humano em sua formação pessoal e profissional, têm como linha evolucionária um padrão homogêneo: comprova-se sua não dissociação pelo fato de não poder haver uma separação entre o indivíduo e o profissional, sendo que, através da história, o binômio evoluiu e, nos dias atuais, interage em todos os seus sentidos.

A realidade de sua existência ultrapassa os padrões teóricos. Sua constante transmutação, formas, padrões de conduta mutáveis evolutivas e sua aplicação pela comunidade geram um fluxo de pensamento global que, colocado na prática, transforma-se em um único pensar: “[…] O evoluir em função de seu aprimoramento” .

Inúmeros autores afirmam este processo evolutivo: Passos (2004), Vergara e Branco (2001) solidificam essa linha de pensamento focada na ininterrupta necessidade da evolução conjunta dos padrões de ética/moral e do comportamento indivíduo/profissional.  Etkin (2003) e Vasquez (2002) comprovam que sociedade, indivíduo e empresa formam um todo evolutivo e seus desafios, conjuntamente, podem ser vencidos, com as metas de aprimoramentos necessários atingidas.

O enfoque deste trabalho ultrapassa as barreiras estacionárias e individuais, fazendo-se sobre o todo o fator diferencial, e não a simples análise individual da ética/moral como uma necessidade isolada.

Ética como processo em adaptação e evolução

A ascensão do valor do paradigma ‘ético’ teve origem na Antiguidade, após o momento pré-socrático cujo interesse investigativo concentrou-se no mundo físico. Na tentativa de compreender a sua essência, os filósofos voltaram-se para o ‘ser’ e para os problemas sociais e morais (PASSOS, 2004).

A ética é a investigadora da moral, que, por sua vez, é um tipo de experiência humana ou forma de comportamento dos homens. Porém a moral, na sua totalidade, pode ser considerada pela diversidade e variedade (VASQUEZ, 2002).

Pode-se concordar com o autor que o conceito de moral não deve ser individualizado, mas devemos considerar o seu movimento linear como um todo, pois essas questões, desde que envolvam o conceito humano, se desdobram em linguagem, natureza e significado dos juízos morais, os quais tomam relevante importância na interpretação do conceito, que se entrelaça com a Economia Política como Ciência, firmando o parecer humano de interpretação.

É crescente o número de representantes do meio empresarial que afirmam: “que um comportamento responsável é o fundamento de um sucesso econômico sustentável “à longo prazo”. Ao mesmo tempo em que a humanização empresarial ganha adeptos que buscam potencializar suas ações por meio de instituições americanas e européias, argumenta-se que esse movimento é um dos indícios de uma mudança ainda mais profunda que estaria em curso no mundo dos negócios, como afirmam Vergara e Branco (2001): que a profundidade das mudanças altera o comportamento empresarial como um todo, que se espalha por meio do comportamento do homem na aplicação da ética, com reflexos, profundos, evolutivos e inevitáveis em toda a sociedade.

A pratica moral é condensada em valores morais, e estes não são decididos voluntariamente por sujeitos individuais; eles emergem da própria existência do grupo humano e vão se cristalizando. Ao serem socializados, vão se tornando consenso entre os membros da sociedade (PASSOS, 2004). De fato, a existência de atributos e qualidades, que obrigatoriamente devem ser evolutivas, é cercada de padrões éticos no mesmo tom, quando emergentes de um grupo definido.

Esta melhora evolutiva, oriunda das necessidades de um mundo sócio/empresarial, tem como base de sua estrutura a dignidade no relacionamento cidadão-aparato social e seus implícitos direitos humanos que, se estáticos num processo temporal, colidiriam com a condição de se apresentarem projetos de modernização com diversidades de alcances e melhoras na qualidade constantemente.

Analisando-se os desafios que temos de enfrentar enquanto sociedade, e o poder hoje representado pelas empresas, pode-se argumentar quanto ao necessário envolvimento com a eliminação das externalidades tidas como inerentes às suas atividades. Nesse sentido, despontam empresas assumindo compromissos com a redução de impactos ambientais, com o apoio a grupos socialmente excluídos, com a erradicação das múltiplas causas da pobreza, tais como a ausência de educação. Essas ações acenam com a conciliação entre competitividade e humanização das empresas e parecem revelar indícios de que um novo paradigma esteja emergindo no mundo dos negócios, que vem recolocar mais uma vez o processo mutável evolutivo do conceito da ética (VERGARA, BRANCO; 2001).

A qualidade na evolução da eficácia deve ser criteriosa, seja no aspecto empresarial, publico ou privado e/ou pessoal/profissional, e a relação custo-benefício, ponderada pela análise da produtividade, são partes da equação da eficácia dos organismos. Esses preceitos têm a anuência de Etkin (2003).

Evolução é sinônimo de satisfação e essa cultura, abrangente e complexa, deve ser pesada como um todo evolutivo, porque os destinatários dos serviços não são iguais e o aspecto social não se esgota no produto, tendo agregado a qualidade de vida do cidadão.

Neste todo de evolução, valores tomam um fator preponderante entre os modos de gestão e o social, em especial no âmbito das empresas e dos negócios, onde um vácuo ético se mostra na medida em que o aumento de sua eficácia choca-se com o processo de qualidade, não tomando em conta seu impacto sobre os valores sociais, bem como o efeito indesejável para essas organizações que se destroem em seu interior devido à sua própria indiferença com o contexto imoral da questão.

Dado que o apoio a uma determinada causa social pode exigir competências de que a empresa não dispõe, o estabelecimento de parcerias com profissionais e instituições especializadas é uma garantia para a aplicação mais adequada dos recursos. Além desses cuidados, não se deve deixar de lado a ortodoxia dos bens manuais de Administração, que prescrevem os meios eficientes para se atingir os fins estabelecidos. Julgando-se a natureza dos fins para os quais se voltam as empresas humanizadas, é de se esperar que a Administração tenha muito a contribuir para alcançá-los. Enfim, a corroboração do todo (VERGARA; BRANCO, 2001).

Palavras Finais

O debate trazido à ênfase neste paper é que ética e moral se relacionam de forma abrangente e profunda, sedimentando-se num processo evolutivo constante, associado à estrutura socioeconômica e política em todas as expressões existentes, emergentes dos conceitos do individuo/profissional/sociedade.

Msc. Ricardo Delfino Guimarães

 

Bibliografia

ETKIN, J. Gestión de la Complejidad en las organizaciones : La estrategia frente a lo imprevisto y lo impensado. México: Oxford University Press, 2003.

PASSOS, E. Ética nas organizações. São Paulo: Atlas, 2004.

VÁZQUEZ, A. S. Ética. 23º ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

VERGARA, S.C.; BRANCO, P.D. Empresa humanizada: a organização necessária é possível. Revista de Administração de Empresas, v.41, n.2, 2001.