02
mar

0

EDUCAÇÃO OU ADESTRAMENTO AMBIENTAL?

A questão ambiental tornou-se um importante foco de atenção e de modismos, sem precedentes históricos, sobretudo a partir da década de 1980. Desde então, manchetes deste tipo permearam os jornais e noticiários de todo o mundo e os chamados desastres ecológicos e as previsões apocalípticas passaram a fazer parte do nosso dia-a-dia. Isso é historicamente novo. Até a primeira metade do século XX e mesmo até meados dos anos 60, preocupações globais com a saúde da Terra eram praticamente inexistentes.

Tais intervenções resultantes da interferência humana têm se traduzido frequentemente em problemas como extinção de espécies, mudanças climáticas, poluição, exaustão de recursos úteis ao homem e outras questões que nos são hoje bastante familiares.

O ponto crucial é que a questão de recursos naturais não é uma questão apenas técnica e, com isso, não pode ser isolada do contexto social e político. O que precisamos, urgentemente, é de novos valores éticos em todos os setores de nossas vidas.

Infelizmente, é preciso admitir ainda que adestramento, em vez de educação, é o que ocorre em diferentes níveis e áreas do ensino forma em nosso país. Por que isso acontece? A educação-adestramento é uma forma de adequação dos indivíduos ao sistema social vigente. Não se quer dizer com isso que uma adequação seja intrinsecamente ruim – pelo contrário, adequações são sempre necessárias para se viver em qualquer sociedade. O que se deseja criticar, sim, é a adequação que conduz particularmente à perpetuação de uma estrutura social injusta.

A educação se distingue do adestramento por ser este último um processo que conduz a reprodução de conceitos ou habilidades técnicas, permanecendo ausente o aspecto de integração do conhecimento, condição sine qua non para a formação de uma visão crítica e criativa da realidade. Poder-se-ia fazer também uma analogia entre o adestramento e a educação.

Deste modo, a educação deve pertencer ao domínio do pensamento crítico e, em sendo assim, deveria proporcionar os meios básicos para tornar os alunos capazes de distinguir o conteúdo dos diversos discursos, independentemente das formas sob as quais possam se apresentar.

Msc. Ricardo Delfino Guimarães